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  • Valéria Chociai

Você (também) já enjoou da chardonnay?


Este mês de setembro incluímos um chardonnay californiano na seleção de vinhos do nosso site. Quando comecei a contar a boa nova para todos (eu compartilho as novidades por e mail) recebi muitas respostas inspiradoras e decidi que este era um assunto interessante para fazermos um post!

Mas me conte, você tem o hábito de beber chardonnay? O que pensa sobre esta uva? Em meu e mail, conto um pouquinho mais sobre ela. Vamos lá?


Cacho da uva chardonnay. Ela não parece apetitosa?

Foto do blog da Virgin Wines.

Jancis Robinson é sucinta e muito assertiva ao descrevê-la em seu livro Wine Grapes:

"Imensamente popular, versátil e mundialmente cultivada, produz desde vinhos medíocres até vinhos extraordinários." Essa é a versão traduzida pela Eliza, claro!

E não é que é? Já bebi chardonnays maravilhosos, assim como já bebi muitos sem graça nenhuma, desses que esquecemos na taça.

Mas aí vem a pergunta fundamental que ouço sempre nos cursos: "E como é que a gente sabe se o vinho será bom antes de comprá-lo?"

A resposta para esta questão não é simples, como você já deve imaginar. Bem, pensando bem, até é: peça sempre ajuda para a sua sommelière favorita - EU! EU! EU! - e diminua as chances de errar feio! Atenção que eu falei "diminua"... sommelier também erra feio, combinado?

Brincadeiras à parte, existem pequenas pílulas de conhecimento que podem fazer uma grande diferença na hora da compra e este é o caso da nossa chardonnay. Me acompanha?

Esta casta tem sua origem na França, mais especificamente entre as regiões vinícolas conhecidas como Champagne e Bourgogne. O clima por lá é continental, ou seja, tem invernos muito frios e rigorosos e primaveras bem chatinhas (dessas que numa semana está gostosinho, noutra está um gelo novamente). Preferências pessoais à parte, a verdade é que não estamos falando de um clima ameno, agradável ou ainda, propício para a agricultura, não é mesmo?

E é justamente nesse clima hostil (não, eu não sou fã número um de clima continental!) que a chardonnay brilha! Sabe o Chablis? É o rei dos chardonnays! Quem já teve a oportunidade de beber um dos bons sabe o quão extraordinários eles podem ser. Mas nem todos os dias são feitos de Chablis, não é mesmo? Infelizmente, ao contrário de seu aroma, o seu preço costuma ser pouco convidativo. Pena.

Mas veja só que sorte nós temos! Esta variedade de uva é de fácil cultivo. Produz bem, produz muito, em climas variados! Quase todo vitivinicultor pode cultivar a chardonnay. O resultado dessa versatilidade incrível você até já imagina, não é mesmo? Ela está disseminada pelo mundo todo, nos mais diversos climas, até nos climas mais amenos e pouco propícios para muitas outras variedades de uvas, imagine! Mas será que as uvas, e finalmente os vinhos, ficam todos parecidos com o Chablis? O Vale Central do Chile faz bons chardonnays, por exemplo?

Pois é. Altas temperaturas afetam negativamente o aparecimento de algumas qualidades desta uva. A videira fica feliz da vida, cresce muito, produz muito, mas seus frutos não amadurecem como no seu clima de origem. Muda tudo! E, infelizmente, as “janelas de colheita” deixam de coincidir.

Janelas de colheita? Sim, falaremos sobre este assunto em outra oportunidade. Resumindo muito, quando isso ocorre, o enólogo tem que escolher entre colher a uva no ponto ideal do “aroma” e contornar o excesso/falta de açúcar (e o excesso/falta de acidez), ou vindimar no ponto ideal do equilíbrio “açúcar/acidez” e se conformar com uma gama de aromas longe da ideal. Complicado né? Mas esse é um desafio para os enólogos resolverem, eles e a natureza que se entendam, não é mesmo?

Nós consumidores temos apenas que saber se o que vamos comprar corresponde às nossas expectativas. O que me leva a seguinte pergunta: o que você procura num vinho branco?

Sempre que você buscar complexidade aromática e uma acidez gastronômica deve evitar os chardonnays de clima quente (Vale Central do Chile e Sul da Califórnia, por exemplo). Fácil, né? E se quiser algo simples, muito fácil de beber e até meio “adocicado”, dê preferência para essas duas regiões. Só atenção! De tanto beber, muitos de nós enófilos, já enjoamos dessa uva!

Sim! Recebi muitos relatos de "enjoo". Eu mesma confesso que não vejo mais graça em muitos dos chardonnays disponíveis no Brasil. É verdade que eu tive o imenso prazer de estragar o meu paladar com Chablis deliciosos, na companhia do casal de médicos Dra. Maria Carolina e Dr. Antônio Carlos Nascimento. Mas de tempos em tempos eu encontro uma preciosidade por aqui.

Você já ouviu falar no Estrella Chardonnay por acaso? Californiano. Amo. Não consegui enjoar (ainda).

E sabe porque eu gosto tanto dele?

Primeiro porque ele é do Napa e eu gosto sim de complexidade aromática e de acidez! Não vamos dizer que o clima por lá é hostil e que o nosso enólogo fará “Chablis” por lá também, hahahaha, mas o clima já é bem mais friozinho que nas demais regiões mais ao Sul da Califórnia, não é mesmo?

Depois porque ele não é 100% chardonnay. Ele é um blend, e um muuuuito bem feito! A mistura com outras uvas permitiu que o enólogo agregasse tudo o que estava faltando nas uvas colhidas por lá, de uma forma não química. Está faltando complexidade aromática? Acrescenta um pouco da uva muscat! Acidez? Um viva à pinot grigio! Essa, para mim, é a maior magia da enologia.

E você, já se encantou com um chardonnay? Conte-me qual!

eliza@autourdelatable.com.br

Grande abraço! E até breve!


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