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  • Valéria Chociai

Brie como te quero!

Atualizado: 23 de Jan de 2019


Continuando o nosso pequenino guia de queijos, vamos falar de mais um francês de casca branquinha!

Considerado um dos embaixadores do queijo francês, surgiu na Idade Média nas regiões planas do norte da França, à leste de Paris, com terras ricas capazes de nutrir grandes rebanhos leiteiros. Seu nome é o nome da região (que, por sua vez, tem origem incerta).

Carlos Magno foi o primeiro “ilustre” a ser conquistado pelo queijo. Mas existem muitas anedotas populares, que mencionam o Brie ao lado de nomes históricos de peso. Quer saber alguns? A estória mais trágica aconteceu durante a Revolução Francesa. Luis XVI fez uma tentativa de fuga para a Bélgica em 1791, mas foi capturado pelos seus adversários dentro da região de Brie. Dizem as más línguas que ele não resistiu à tentação de parar a sua comitiva para deliciar-se com um queijo Brie, dando tempo de sobra à seus adversários. Pois é, a paradinha gourmet lhe custou a cabeça, dois anos mais tarde. Já em 1815, o Brie de Meaux é eleito o “Príncipe dos Queijos e Rei das Sobremesas” pelos diplomatas europeus reunidos em Viena. Dizem que os homens políticos presentes no Congresso estavam entediados e o nobre francês, Talleyrand, provocou os demais discursando como a gastronomia francesa era "melhor" e como o queijo Brie era imbatível. O ego de todos inflamou e um concurso de queijos foi organizado. Mas, no fim, o nobre e convencido francês tinha razão.


Mas como reconhecer um bom Brie?

Sua coloração deve ser homogênea, sua casca branquinha deve ser acompanhada de um interior amarelo, bem homogêneo. Quando o meio da massa ainda está branco, o tempo de maturação foi muito curto e seu sabor pode estar prejudicado. Por outro lado, uma casca de coloração mais escura revela um tempo de maturação mais longo e é acompanhada de um interior mais cremoso, assim como um sabor mais forte. Nos Bries mais saborosos, a casca não “se solta” do queijo facilmente.

E como cortar um Brie?

A ideia é manter a mesma proporção de queijo/casca, formando-se um desenho bem bonito!

Este é um exemplo de um corte clássico. Divide-se o queijo em “cunhas”. Depois corta-se primeiro a ponta (1) também chamada de nariz. A lateral vem em seguida, saindo do meio da ponta (já cortada) em direção a beirada externa (2). Finalmente, basta dividir a parte restante em 4 partes, com cortes paralelos a lateral oposta a já cortada (3). Hum... difícil? Não... um pouquinho de treino e você já estará craque!


Mas você sabia que um morador da região de Brie, com uma boa cultura queijeira, não cortaria assim? Pois é, na sua região de origem, cortar o “nariz” do Brie tem um significado bem único!

Agora deixa eu te contar algumas curiosidades!

Antigamente, quando um jovem queria pedir a mão de uma jovem em casamento, ele era recebido pela família da moça com um pedaço de Brie e uma garrafa de Cidra. O pai da pretendida nunca respondia diretamente o pedido do rapaz, no entanto. Após o discurso do pretendente, o queijo era cortado e repartido entre os presentes e quando o nariz era cortado, significava que o pretendente não era bem vindo naquela casa.

Aos nobres pretendentes, fica a dica! ;-)

E você sabia que na sua região de origem existe um “Brie Noir”, que é, na verdade, marrom? A tendência é que ele deixe de existir, mas, se você estiver passeando por lá e tiver a curiosidade de o provar, já deixo outra dica: o brie noir é nada mais, nada menos, que um brie velho seco (com um sabor forte de sabão! hehehe). Na época de abundância de leite, alguns produtores se deparavam com um excesso de estoque e, para não perder os queijos não vendidos, os mesmos eram secos e mais tarde utilizados como “lanche” para os trabalhadores rurais.

Hum, não parece muito apetitoso, não é mesmo?

E falando em sabor... você conhece as combinações clássicas que fazem muito sucesso no seu país de origem?

A harmonização clássica é a Cidra. Mas, na falta dela, vamos inovar! Especialistas franceses dizem que a harmonização ideal de um queijo Brie deve ter: aroma de fruta, acidez elevada e deve aportar a sensação de frescor. Hum... deve ser por isso que ele ficou DIVINO com a Geleia de Melão com Gengibre. Sim, você leu corretamente! Geleia de Melão com Gengibre!


E agora que já estamos todos com muita vontade de tudo isso, saiba que o nosso preferido é um mineirinho, artesanal. E, somente para os fortes, às vezes recebemos um lote especial, de um Brie mais maturado, cremoso, super saboroso e muito (MUITO MESMO) fedido. Fica de olho! ;-)

Gostou? Quer saber mais sobre queijos? Se inscreva no nossa news, ou me mande um e-mail. Estou sempre à disposição!

eliza@autourdelatable.com.br

Grande abraço! E até breve!

Eliza Leão


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